OMS espera estabelecer vínculo entre Zika e microcefalia em semanas, Índia lidera corrida por vacina

GENEBRA (Reuters) – A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que os supostos vínculos entre o Zika vírus e a microcefalia, uma má-formação cerebral em recém-nascidos, e a síndrome de Guillain-Barré serão confirmados dentro de semanas, afirmou uma especialista de primeiro escalão da entidade nesta sexta-feira.

Um aumento agudo nos casos da má-formação no Brasil desencadeou uma emergência de saúde pública mundial para combater o vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, e uma corrida para se desenvolver uma vacina e melhores exames diagnósticos.

“Temos mais algumas poucas semanas para poder demonstrar com certeza a causalidade, mas a ligação entre Zika e Guillain-Barré é altamente provável”, disse Marie-Paule Kieny, diretora-geral-assistente da OMS para Sistemas de Saúde e Inovação, em uma coletiva de imprensa.

Marie-Paule afirmou que, atualmente, cientistas do governo dos Estados Unidos e uma empresa de biotecnologia da Índia estão na dianteira no desenvolvimento de uma vacina, embora sejam necessários pelo menos 18 meses para se iniciar testes clínicos de larga escala com vacinas em potencial.

“Duas candidatas a vacina parecem estar mais avançadas: uma vacina de DNA dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês) e um produto com vírus inativo da Bharat Biotech da Índia”, declarou.

O NIH está trabalhando em uma vacina baseada em DNA que utiliza a mesma abordagem de uma que está sendo desenvolvida para o vírus do Oeste do Nilo. Na semana passada, a indiana Bharat comunicou que sua vacina experimental entrará na fase de testes pré-clínicos com animais muito em breve.

Ao todo, cerca de 15 grupos estão desenvolvendo vacinas para o Zika, incluindo a farmacêutica francesa Sanofi, assim como pesquisadores do Brasil, que anunciaram uma nova parceria com a Universidade do Texas na quinta-feira.

Mas o caminho até o desenvolvimento de uma vacina preventiva contra a Zika é repleto de obstáculos, entre outras razões porque o grupo visto como o de maior risco é o das gestantes.

Exames de diagnósticos melhores também são vistos como essenciais no combate à doença, que se dissemina rapidamente pelas Américas. Segundo Marie-Paule, novos exames estão sendo desenvolvidos com rapidez e podem estar disponíveis dentro de algumas semanas.

O Brasil, país mais afetado pelo Zika, estabeleceu no ano passado a relação entre o vírus e um surto de microcefalia em recém-nascidos na Região Nordeste do país, o que aumentou os temores com relação à doença.

O Ministério da Saúde investiga 3.670 casos suspeitos no Brasil de microcefalia. Até 30 de janeiro, segundo o balanço mais recente, 404 casos tiveram confirmação de microcefalia e outras alterações no sistema nervoso central, sendo que 17 foram relacionados ao Zika, segundo o governo.

Apesar de a ligação entre Zika e a má-formação não ter sido provada, muitos cientistas estão convencidos de que existe o vínculo, e novos indícios de Zika no cérebro de fetos abortados, relatados na quarta-feira, aumentaram as suspeitas.

*Por Stephanie Nebehay e Ben Hirschler

Fonte: Reuters

 

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