WWF-Brasil oferece análise para recuperar bacia do rio Doce

rio doce - agência brasil foto

Resplendor (MG) – Imagem aéra mostra a a lama no Rio Doce, na cidade Resplendor (Fred Loureiro/ Secom ES)

O WWF-Brasil realizou uma Análise de Contribuição Hídrica para servir de apoio na elaboração de planos de recuperação da bacia do rio Doce. A região foi atingida por uma tsunami de lama de uma das barragens de rejeitos da mineradora Samarco, no município de Bento Rodrigues, em Minas Gerais, no começo de novembro. A água, de elevada turbidez, já atingiu o ecossistema marinho, causando novos impactos em um dos importantes deltas do Atlântico Sul.

Os especialistas ainda tentam dimensionar o tamanho do estrago para o meio ambiente, mas já se sabe que a recuperação irá custar caro e durar décadas. Para acelerar o processo, o WWF-Brasil disponibiliza a partir de hoje uma plataforma online, de acesso público e gratuito, com os dados de análise, mapas hidrográficos e de cobertura vegetal de toda a bacia hidrográfica. São ferramentas capazes de indicar estratégias para recuperar não só o rio doce, em si, mas toda a bacia em que ele se insere.

“A análise que trazemos não é a única, e nem esgota o tema. É parte de uma iniciativa da organização para apoiar os diferentes esforços de recuperação da bacia”, afirma Carlos Nomoto, Secretário Geral do WWF-Brasil.

Os dados são associados a uma série de recomendações para intervenções estratégicas, com foco na região que envolve o rio Doce – e não só na calha principal do rio. É que as áreas adjacentes da bacia têm demandas de restauração e proteção de custo mais baixo quando comparado à recuperação da calha principal, mas de importante contribuição para o sistema hídrico da região.

Acesse a plataforma

As ações de recuperação nessas áreas poderão, inclusive, ajudar a reduzir os impactos nos ecossistemas costeiros e marinhos, melhorando a qualidade de água que será despejada na foz do rio Doce.

A Análise de Contribuição Hídrica consegue identificar quais são as sub-bacias que geram a maior parte da vazão do rio Doce e que são responsáveis pela dinâmica hidrológica na região. A ideia é estimular a geração de água limpa que corre em direção ao rio Doce para que ela possa ir se depurando com o tempo.

A estratégia, porém, é mais ampla. Irá implicar na recuperação de nascentes e na restauração da vegetação nativa, que dá as condições para que surja água em abundância.

Fragilidade

“A bacia do rio Doce já estava extremamente impactada pelo uso indevido da terra e dos recursos naturais. Há décadas a bacia sofre com o desmatamento em larga escala, pecuária, agricultura e mineração que carregam sedimentos para o rio, que se acumulam com o passar do tempo e modificam sua estrutura, com impacto negativo sobre a fauna e a flora da região”, explica Mariana Napolitano, do Programa de Ciências, do WWF-Brasil.

“Com essa catástrofe, um ambiente já comprometido e com baixa resiliência sofreu uma espécie de golpe de misericórdia e precisará de um esforço muito maior para sua recuperação”, diz a especialista.

Segundo ela, todas as informações utilizadas na análise estão agora disponíveis para a sociedade. Os cientistas que estão avaliando os impactos do desastre poderão servir-se dos dados, assim como os governos e outras organizações interessadas em reverter o problema.

Mais verde, mais água

Entre as informações disponíveis na plataforma do WWF-Brasil, estão mapas de vegetação remanescente da bacia e a identificação das sub-bacias prioritárias para a recuperação das matas. A partir do mapeamento dessas áreas, a organização propõe ações emergenciais e outras de médio e longo prazo.

O primeiro passo será detalhar quais os rios que mais levam água para a bacia do rio Doce. Em seguida, deverão ser mapeadas as nascentes desses rios para o trabalho de conservação daquelas que se encontram em bom estado e recuperação das que estão degradadas. Medidas como o cercamento das nascentes para evitar o pisoteio pelo gado e a restauração das matas ciliares – que contornam os cursos d’água e nascentes – devem ser prioritárias.

A recuperação da floresta aumenta a quantidade e a qualidade da água nas nascentes e tributários. A aposta é que quanto mais água limpa correr para dentro do rio Doce, mais rápido ele ficará livre das impurezas levadas pela enxurrada de lama. O retorno da vegetação ribeirinha também favorece o desenvolvimento de bactérias essenciais para a descontaminação.

A recuperação de áreas desmatadas – legal ou ilegalmente – também será decisiva para uma estratégia de recuperação da bacia. Ferramentas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), dispositivo do novo Código Florestal, devem ser priorizados na abordagem. É que o CAR ajudará a indicar o passivo de vegetação nativa na região, principalmente nas Áreas de Preservação Permanente (APP), como as margens dos rios e os topos de morro.

O Programa de Regularização Ambiental, a ser definido pelo estado também será fundamental na recuperação ambiental da área. Ações em campo podem orientar os proprietários a recuperar áreas que sejam chave para a restauração da bacia do rio Doce como um todo, principalmente em relação à qualidade da água.

O WWF-Brasil acredita que será necessário um pacto pela recuperação as nascentes da bacia do rio Doce, nos moldes como já acontece no Pantanal, cujos resultados são animadores. A revisão das práticas agrícolas que durante anos degradaram a região também precisa entrar no radar da estratégia de recuperação da paisagem Outras políticas públicas, como o monitoramento e a fiscalização devem complementar a estratégia.

Link para a plataforma: http://paisagem.wwf.org.br/projetos.html

Link direto para o projeto de avaliação de impactos no rio Doce: clique aqui.

*Por Jaime Gesisky

*Fonte: WWF Brasil

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