Ambientalistas alertam para poluição de manguezais devido a vazamento de óleo no Rio

Creative Commons - CC BY 3.0 - Profissionais do Instituto Boto Cinza monitoram dimensão do vazamento na Baía de Sepetiba / Foto: Instituto Boto Cinza

Creative Commons – CC BY 3.0 – Profissionais do Instituto Boto Cinza monitoram dimensão do vazamento na Baía de Sepetiba / Foto: Instituto Boto Cinza

O vazamento de um oleoduto da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras, na sexta (19), na Baía de Sepetiba, pode ser maior do que o estimado. A avaliação é do Instituto Boto Cinza e do presidente da Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Thiago Pampolha (PTC), que estiveram neste sábado (20) no local.

A Transpetro confirmou preliminarmente um vazamento de 600 litros, já contestado pela prefeitura de Mangaratiba, segundo o deputado Pampolha. Técnicos do município acreditam que o volume seja de, no mínimo, 30 mil litros, que escorreram para o mangue, berçário de espécies.

É um a situação bastante preocupante. O óleo já chegou à APA (Área de Proteção Ambiental) de Mangaratiba e o mangue está todo comprometido”, afirmou o deputado, após sobrevoar a área com técnicos da Secretaria Estadual do Ambiente. “A Transpetro fala em 600 litros [de óleo] , mas de cara eu pude perceber que não é verdade. Podem ser 30 mil [alegados pela prefeitura de Mangaratiba], mas podem ser muito mais”, declarou. Procurada pela Agência Brasil, a empresa não comentou o volume do vazamento e não deu novas explicações sobre as ações de mitigação no local.

Com a chegada do óleo ao mangue, ambientalistas alertam para a contaminação de espécies. A coordenadora e bióloga do Instituto Boto Cinza, Kátia Silva, disse que a resposta da Transpetro demorou e pode não ter sido suficiente. A preocupação do instituto é com a espécie que está em risco de extinção, encontrada apenas na Baía de Sepetiba. Outra espécie sob risco é a baleia jubarte que, em fase de reprodução, também pode ser vista esta época, na região.

“Os botos podem morrer por contaminação em contato direto com o óleo ou pela alimentação pois o manguezal, berçário de peixes, mariscos e caranguejos, devido as suas raízes, está sendo uma barreira natural para que óleo não invada de uma vez só o mar”, disse Kátia. “Inclusive, essa contaminação pode chegar até a gente, pois comemos o mesmo que eles”, acrescentou.

Na avaliação do Instituto Boto Cinza, que também monitora o vazamento desde ontem, a quantidade de óleo que saiu da tubulação também está acima da informada. “Para chegar até o mar, como vemos, vazou uma quantidade considerável”, disse a bióloga. “Não temos como precisar quanto, mas, com segurança, foi além dos 600 litros”.

A Transpetro informou que suspeita de furto de combustível no oleoduto como causa do vazamento, mas técnicos do Instituto Boto Cinza que chegaram próximo ao local não identificaram tentativa de invasão, como violação de cerca. A investigação está sendo feita pela Polícia Civil.

Presidida pelo deputado Pampolha, a Comissão de Meio Ambiente da Alerj solicitou laudos à Secretaria Estadual do Ambiente para dimensionar o ocorrido e aguarda informações da polícia. Nas próximas semanas, deve ser feita uma audiência pública para discutir os impactos e mitigações do vazamento com a comunidade local, ambientalistas, técnicos de governos e a Transpetro.

O vazamento do oleoduto foi identificado de madrugada. O óleo escorreu pela Cachoeira Itinguçu e desaguou no mar. A contenção do óleo está sendo feita com o uso de 800 metros de barreira absorvente, 30 metros de barreira de contenção, dois caminhões-vácuo, um caminhão-baú, dois tanques de recolhimento, duas lanchas de apoio, quatro táxis-boat e um helicóptero.

Fonte: Agência Brasil

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