Jornalistas afirmam que trabalho com pauta de meio ambiente requer qualificação profissional

O Primeiro Encontro de Jornalismo Ambiental abriu a Semana de Sustentabilidade da Saraiva / Foto: Elvira Costa

O Primeiro Encontro de Jornalismo Ambiental abriu a Semana de Sustentabilidade da Saraiva / Foto: Elvira Costa

Cláudio Bandeira (editor de Ciência&Vida do Jornal A Tarde), Núbia Cristina (produtora e apresentadora do CBN Imóveis) e Wilma Nascimento (coordenadora de Comunicação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente) estiveram reunidos nesta segunda-feira (1) durante o Primeiro Encontro de Jornalismo Ambiental, evento promovido pelo curso de Jornalismo da Estácio/FIB e realizado na Livraria Saraiva do Salvador Shopping. O evento teve ainda a participação de Erica Rusch, advogada ambiental e especialista em sustentabilidade, que falou sobre noções de direito ambiental e do direito a serviço da comunicação social.

Juntos, Cláudio, Núbia e Wilma somam décadas de experiência em jornalismo ambiental, com passagens por alguns dos principais veículos de comunicação do estado. E uma opinião foi unânime entre eles: o jornalista que envereda na área ambiental precisa se especializar, fazer cursos voltados para a área ambiental. Por outro lado, como é uma área pouco procurada em comparação a outras editorias, o jornalismo ambiental acaba sendo um campo de boas oportunidades para quem escolhe se dedicar a ele. Nesse sentido, Núbia lembrou o portal EcoD, dedicado a meio ambiente, que, para ela, “é o melhor portal de meio ambiente do país”. O portal EcoD é uma iniciativa do administrador de empresas Isaac Edington, que é também presidente do Instituto EcoD.

Cultura científica na imprensa

Cláudio Bandeira iniciou a apresentação mostrando um dado preocupante: 96% da população soteropolitana não sabe que a Universidade Federal da Bahia é uma instituição que faz pesquisa, mas entende que a universidade é um espaço de formação profissional para o mercado de trabalho. Por outro lado, ele destacou que a UFBA tem milhares de grupos de pesquisa em todas as áreas do conhecimento.

Nesse sentido, falou da importância das universidades como fontes jornalísticas para pautas relacionadas a ciência e dos desafios de implantação do caderno Ciência&Vida no Jornal A Tarde, especialmente da necessidade de encontrar boas fontes para o jornalismo científico.

“Fato importante em matéria de ciência é o contraditório”, comentou o palestrante em relação às fontes, de modo que é sempre necessário ouvir mais de uma fonte para escrever a matéria. Lembrou ainda que o jornalismo científico depende da divulgação de ciência e da colaboração dos pesquisadores, enfatizando que “divulgar pesquisa faz parte de um compromisso social”.

Cuidado com a informação

“Cuidado com a informação. Muitas vezes, existe a pressa de dar a notícia primeiro e acabam publicando errado. Melhor perguntar antes”, alertou Wilma Nascimento durante a sua palestra. Ela destacou a necessidade de cuidado com a informação ambiental, que é técnica, exige apoio de fontes especializadas, e também que o jornalista tenha especial cuidado com a apuração dos dados e confirmação de termos técnicos.

Entre os principais desafios de trabalhar com a pauta ambiental, a palestrante mencionou a falta de interesse da sociedade no tema em comparação a quando acontece um desastre ambiental e a necessidade de qualificação profissional do jornalista, que precisa entender um conteúdo muito especializado, a fim de traduzi-lo em linguagem acessível a todos.

Nasce uma editoria

Núbia Cristina lembrou de quando trabalhou na Gazeta Mercantil, primeiro jornal brasileiro especializado em economia e negócios, e falou dos desafios de escrever sobre o tema na Bahia há vinte anos atrás, quando as dificuldades de encontrar fontes eram maiores. Naquela época, para falar sobre pautas relacionadas a negócios e meio ambiente, por exemplo, era mais comum conseguir com as indústrias multinacionais que estavam instaladas na Bahia. Foi na Gazeta Mercantil, no final da década de 90, que Núbia conseguiu convencer sua equipe a criar uma editoria de Terceiro Setor, que abordaria inclusive a responsabilidade socioambiental, prática de negócios ainda incipiente na época.

“A pauta ambiental não sai do CBN Imóveis”, lembrou a palestrante, já falando sobre a experiência atual de apresentar um programa sobre o mercado imobiliário. Núbia comentou a relação que existe entre o setor de imóveis e construção civil e o de meio ambiente. No próximo sábado (6), por exemplo, o entrevistado do programa será Rafael Valente, diretor de gestão sustentável da Associação de Diretores de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA). O CBN Imóveis vai ao ar às 10h, aos sábados.

Cláudio Bandeira, Antoniella Devanier (coordenadora do curso de Jornalismo da Estácio), Núbia Cristina, Erica Rusch, Elvira Costa (RP do Rusch Advogados) e Wilma Nascimento / Foto: Divulgação

Cláudio Bandeira, Antoniella Devanier (coordenadora do curso de Jornalismo da Estácio), Núbia Cristina, Erica Rusch, Elvira Costa (RP do Rusch Advogados) e Wilma Nascimento / Foto: Divulgação

Comunicação é educação e isso transforma as pessoas

Erica Rusch falou sobre previsões constitucionais para a comunicação social, em especial àquelas relacionadas a liberdade de imprensa e de informação. Lembrou que a informação ambiental precisa ser divulgada e que, assim como no direito, o conhecimento sobre meio ambiente é técnico e precisa da comunicação social para se popularizar.

Nesse sentido, enfatizou que criação e aplicação de leis pode até conseguir mudar comportamentos ao longo do tempo, mas que não transforma as pessoas. “O que transformas as pessoas é a educação”, destacou. E, assim como o direito está a serviço da comunicação social para colaborar com a difusão do conhecimento, o direito e a comunicação social são meios para educar as pessoas.

Próximo evento

O Primeiro Encontro de Jornalismo Ambiental também vai acontecer no dia 10 de junho, às 19h, na Estácio/FIB do Stiep (no auditório do G4). Serão palestrantes no dia 10: Jefferson Beltrão, jornalista, radialista e professor; Flávio Oliveira, editor de Economia e Negócios do Correio; Bruno Bahia, advogado criminalista, professor de direito penal, vai falar sobre a Lei de Crimes Ambientais; e Erica Rusch. As inscrições são gratuitas através do e-mail antoniella.devanier@estacio.br.

*Redação

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