Medidas alternativas incentivam a geração de biocombustíveis

Com o desenvolvimento cada vez mais acelerado das indústrias, e por consequência, a demanda por mais energia, o uso de combustíveis fósseis tem se tornado insustentável. Essa situação se deve tanto à possível diminuição das reservas de petróleo quanto ao aumento da emissão de gases de efeito estufa. Por esse motivo, muitos pesquisadores têm estudado opções de combustíveis menos agressivos para a natureza e proposto medidas sustentáveis e de menor custo. A pesquisadora Sheyla Santa Isabel Marques sugere em sua dissertação de mestrado, a produção de microalgas como matéria-prima para a geração de biocombustíveis. O estudo foi desenvolvido em sua dissertação de mestrado no Programa de Pós Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal da Bahia.

A substituição dos combustíveis fósseis pelos biocombustíveis é tida como alternativa para redução de emissões poluidoras. “Os biocombustíveis apresentam vantagens por serem biodegradáveis e reduzirem as principais emissões presentes nos gases de exaustão, com exceção dos óxidos de nitrogênio (no caso do biodiesel)”, explica a Sheyla em sua dissertação.

O Brasil está entre os maiores produtores de biocombustíveis de primeira geração. Foi um dos primeiros países a criar um programa de produção de etanol, acoplado às usinas de açúcar, a fim de diminuir a preocupante dependência do petróleo e reanimar a economia rural. No entanto, o que Sheyla ressalta é que o uso da tecnologia para produzir biocombustíveis exige maior número de culturas oleaginosas e alterações no uso da terra, o que acaba devolvendo o CO2 para a atmosfera a partir do carbono retido no solo.

Nova alternativa

As microalgas são indicadas por ser uma opção mais eco-compatível, por isso, Sheyla propõe o uso da vinhaça com a finalidade de reduzir os custos da produção de biocombustíveis. A industrialização da cana-de-açucar usada no processo de produção do etanol gera uma grande quantidade de vinhaça que pode ser uma fonte alternativa de nutrientes para o cultivo das microalgas. O objetivo do trabalho é avaliar o potencial da vinhaça, considerando que seu uso visa suprir a cadeia produtiva de biocombustíveis.

A vinhaça é um resíduo originado do processo de destilação do álcool e atualmente, é um dos maiores causadores de poluição ambiental. Pode ser usada para melhorar as condições do solo, como fertilizante, no entanto, também pode causar sobrecarga no solo aplicada em excesso. Seu poder de poluição se equipara a cerca de cem vezes o poder poluente do esgoto doméstico. “Esses efeitos poluidores da atividade podem ser minimizados com tratamento prévio, visando posterior descarte no meio ambiente. Dependendo do processo empregado, o tratamento da vinhaça pode resultar no aproveitamento de carga orgânica contida nesse resíduo agroindustrial para geração de energia”, esclarece Sheyla.

O trabalho indicou que o tratamento anaeróbio da vinhaça é viável por gerar um produto capaz de suprir as necessidades para o crescimento da microalga (Chlorella vulgaris). Dessa forma, é possível aproveitar o resíduo tratado além do CO2 gerado.

*Por Laís Matos

Fonte: Ciência e Cultura Agência de Notícias em C&T

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