Em Mogi das Cruzes (SP), obra pública afeta habitat de animais

Por causa de obra às margens da Avenida Presidente Castello Branco, a água do ‘Brejinho de César’, como é conhecida a área de antiga mineradora que reunia várias espécies da fauna, foi drenada / Foto: Jonny Ueda

Por causa de obra às margens da Avenida Presidente Castello Branco, a água do ‘Brejinho de César’, como é conhecida a área de antiga mineradora que reunia várias espécies da fauna, foi drenada / Foto: Jonny Ueda

Marreca-toicinho (Anas bahamensis), pé-vermelho (Amazonetta brasiliensis), garça-real (Pilherodius pileatus), caboclinhos, jaçanãs, lontras, capivaras, ratão do banhado. Desde a última quinta-feira, segundo apurou a reportagem do jornal local O Diário, essas e outras espécies de animais silvestres e aves raras, algumas ameaçadas de extinção, foram desalojadas em Mogi das Cruzes.

Por causa de uma obra de uma valeta feita pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos às margens da Avenida Presidente Castello Branco, em César de Souza, toda a água do “Brejinho de César”, como é conhecida a área de uma antiga mineradora que, há mais de 20 anos, se transformou em um ecossistema importante para a Região, segundo ambientalistas, foi drenada. O lugar, antes vivo, está seco.

Quem descobriu os danos foi o fotógrafo Felipe Alves. Ele, há anos, costuma ir à lagoa uma vez por semana para fotografar os animais. “Era o habitat de várias espécies que ali usavam o Brejinho para procriar ou era utilizado pelas aves migratórias. No domingo retrasado ainda tinha um casal de marreca-toicinho e a garça-real, entre tantas outras aves. Eu as fotografei, como sempre faço. Hoje não há mais, apenas alguns frangos d’água no lamaçal. Fiquei morrendo de pena. Vi um bandinho de irerês com uma garça-real sem entender o porquê da destruição do Brejinho”, contou Alves, que também usou as redes sociais para denunciar o fato.

Hoje, ele e mais um grupo de estudiosos de aves e animais silvestres devem apresentar uma denúncia formal no Ministério Público e na Cetesb. Segundo a legislação federal, é crime contra o meio ambiente “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida sob pena de detenção de seis meses a um ano e multa”. Incorre nas mesmas penas, aquele que “impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida ou quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural”.

De acordo com biólogos ouvidos pela reportagem, a área afetada é de manancial e possuía todo um ecossistema já bem desenvolvido formado, além de vegetação, por aves migratórias e outras que viviam ali mesmo, inclusive com espécies contidas na lista do Governo do Estado de São Paulo de ameaçadas de extinção. Sem o brejo, as aves acabarão abandonando os ninhos e algumas morrerão. Há, também, peixes agonizando na corrente de água que escoou e muitos mamíferos que poderão migrar para outras áreas próximas ao Rio Tietê ou morrer de fome.  (Sabrina Pacca)

Fonte: Jornal O Diário de Mogi

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