Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas lança Primeiro Relatório de Avaliação Nacional

O estudo que deu origem ao Primeiro Relatório de Avaliação Nacional Sobre Mudanças Climáticas é uma realização do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) e mobilizou 360 pesquisadores de várias universidades do país durante quatro anos. Dividido em três volumes, o estudo apresenta um panorama sobre as mudanças climáticas no Brasil. Indica suas causas, impactos na sociedade e na economia e também aponta algumas oportunidades oriundas desse contexto, lembrando que a tendências das economias limpas é de valorização, ao passo que as economias baseadas em tecnologias passadas, poluentes, tenderão a perder valor de mercado.

As avaliações resultaram de uma extensa pesquisa bibliográfica, buscando registrar e discutir os principais trabalhos científicos publicados preferencialmente entre os anos de 2008 e 2012, com destaque para aqueles relacionados mais diretamente às mudanças climáticas na América do Sul e no Brasil. Procurou-se também evidenciar as implicações das mudanças climáticas e as alternativas de mitigação para o Brasil, além da consideração dos principais pontos apresentados no Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC-AR4).

Intitulado Base Científica das Mudanças Climáticas, o Volume I da coleção busca avaliar os aspectos científicos do sistema climático e de suas mudanças. O Volume I faz alguns questionamentos importantes, como os referentes às consequências da ação do homem sobre o volume de chuvas, o aumento do nível dos oceanos e as consequências das mudanças climáticas sobre os diversos biomas brasileiros. Além disso, também apresenta dados detalhados, como os relativos à região de Mata Atlântica, que corta boa parte do litoral brasileiro.

“MATA ATLÂNTICA: Como este bioma abrange áreas desde o sul, sudeste até o nordeste brasileiro, as proje- ções apontam dois regimes distintos. Porção Nordeste (NE): Aumento relativamente baixo nas temperaturas de 0,5º a 1ºC e decréscimo nas chuvas em torno de -10% até 2040, mantendo a tendência de aquecimento entre 2º e 3ºC e diminuição pluviométrica entre -20% e -25% em meados do século (2041-2070). Para o final do século (2071-2100) esperam-se condições de aquecimento intenso (aumento de 3º a 4ºC) e diminuição entre -30% e -35% nos padrões de chuva regional. Porção Sul/Sudeste (S/SE): Até 2040 as projeções22 VOLUME 1 indicam aumento relativamente baixo de temperatura entre 0,5º e 1ºC com intensificação nos padrões de chuva em torno de 5% a 10%. Em medos do século (2041-2070) continuam as tendências de aumento gradual de 1,5º a 2ºC na temperatura e de 15% a 20% nas chuvas, sendo que essas tendências acentuamse no final do século (2071-2100) com padrões de clima entre 2,5º e 3ºC mais quente e entre 25% a 30% mais chuvoso”.

O segundo volume, chamado Impactos, Vulnerabilidades e Adaptação, visa a analisar os principais impactos que as mudanças climáticas provocam em setores diversos. Como solução, uma das alternativas apontadas é a busca pela maior eficiência energética e pelo implantação de sistemas de energia limpa. Entretanto, algumas tecnologias ainda utilizadas em setores da agricultura e da pecuária, por exemplo, como as máquinas movidas a combustíveis fósseis, contribuem com a emissão de gases do efeito estufa. O relatório alerta ainda que os dois setores juntos respondem por 25% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Adiante, o relatório salienta que “são necessárias soluções urgentes para se reduzir a vulnerabilidade do Brasil e permitir sua adaptação às mudanças do clima”.

Finalmente, o terceiro volume dedica especial atenção ao combate à emissão de gases do efeito estufa e se chama Mitigação das Mudanças Climáticas. O relatório analisa as consequências das mudanças climáticas e alternativas para lidar com elas de forma didática, mostrando que o combate às emissões antrópicas dos gases do efeito estufa são a melhor opção:

“O custo para evitar mudanças climáticas mais graves é estimado em 0,12% do PIB global até 2030 e em até 2% do PIB mundial em 2050. Os prejuízos que podem ser causados à economia mundial em razão dos impactos das mudanças climáticas com o prosseguimento das tendências atuais foram estimados pelo Stern Review de 2007 numa faixa em torno de 10% do PIB mundial. Em síntese, esses estudos indicam que é muito mais barato mitigar as emissões do que arcar com seus impactos”.

O Relatório de Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticas está disponível em PDF no site do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) foi estabelecido nos moldes do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês). O papel do PBMC é reunir, sintetizar e avaliar informações científicas sobre os aspectos relevantes das mudanças climáticas no Brasil.

*Redação

Fonte: Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas

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