Professor catedrático da Universidade do Minho defende educação para sustentabilidade

Carlos Estêvam é professor catedrático aposentado do Departamento de Ciências Sociais de Educação do Instituto de Educação da Universidade do Minho, Portugal. Veio a Salvador fazer a conferência com o tema "Educação, Direitos Humanos, Desenvolvimento e Sustentabilidade" / Foto: Elvira Costa

Carlos Estêvão é professor catedrático aposentado do Departamento de Ciências Sociais de Educação do Instituto de Educação da Universidade do Minho, Portugal. Veio a Salvador fazer a conferência de abertura do I Fórum de Ciência, Educação e Inovação Tecnológica da Estácio/FIB, com o tema “Educação, Direitos Humanos, Desenvolvimento e Sustentabilidade” / Foto: Elvira Costa

Carlos Estêvão é professor catedrático aposentado do Departamento de Ciências Sociais de Educação do Instituto de Educação da Universidade do Minho, Portugal. O professor esteve em Salvador, Bahia, na quarta-feira (29), quando foi conferencista de abertura do I Fórum de Ciência, Educação e Inovação Tecnológica: diálogos para sustentabilidade, evento promovido pelo Centro Universitário Estácio da Bahia – FIB.

“Atualmente, qual é a educação que interessa?” – questionou o professor ao iniciar a conferência. De acordo com Estêvão, existe hoje a educação voltada para a flexibilização; a educação destinada a formar profissionais mais “vendáveis” ao mercado de trabalho. Nesse sentido, ele contextualizou o desenvolvimento de competências que permitem a adaptação a qualquer situação demandada pelo mercado de trabalho. “Portanto, se eu não tenho emprego, a culpa é minha, pois as minhas competências não me fazem empregável”, criticou o professor. Nesse contexto, a educação é entendida como forma de alcançar um lugar no mercado de trabalho, com prejuízo à formação de senso crítico do educando.

Por sua vez, “a alternativa à educação vigente na atualidade é a educação emancipatória, que promove o conhecimento como ciência e sabedoria. “A educação emancipatória nos dá a capacidade de crítica, é a luta para ocupar um espaço de esperança”, defende Estêvão. Outra perspectiva inovadora da educação apresentada pelo conferencista é a educação solidária, que faz pensar e agir em razão do outro, considerando o semelhante. Nesse contexto, os Direito Humanos possuem papel fundamental, como prática social, política e cultural de luta pela dignidade humana.

A respeito dos Direitos Humanos, com relação à dignidade humana, o professor destacou a “ecologia da dignidade”, que inclui todos os outros seres além do homem. “Hoje, por exemplo, cada vez mais se fala em direitos dos animais. Hoje, há uma reivindicação pelos direitos, inclusive, dos seres não humanos”, sinalizou. É nesse contexto de “ecologia da dignidade”, com atenção a todos os seres, que se inclui a educação para sustentabilidade, com vistas ao desenvolvimento sustentável.

Assim como na abordagem apresentada por Estêvão, o desenvolvimento sustentável também exige um olhar sistêmico sobre as demandas de diversos atores. “O desenvolvimento sustentável não é assunto apenas de um Estado, mas deve ter como fim o bem-estar das comunidades e de cada um”, ponderou.

Apesar das inovadoras perspectivas sobre direitos humanos, educação e sustentabilidade, o desenvolvimento sustentável ainda enfrenta velhos entraves, como a pobreza, a fome e a injustiça econômica. Para o professor, o problema relacionado a esses entraves ocorre por causa do ainda predominante modelo político social, que produz e reproduz injustiças. Para enfrentar esses velhos problemas, Estêvão propôs a adoção da democracia sustentável, que está intimamente ligada a transformação. A construção dessa democracia acontecerá com a participação de todos.

Para promover mudança, a escola deve ser entendida como um espaço plural. Nesse sentido o professor ressalta que “a escola é um mundo de mundos, de várias identidades, onde professores e alunos são cidadãos, familiares, clientes e consumidores”. Por isso, a educação para sustentabilidade deve ser pautada por diferentes dimensões, que incluem a sustentabilidade social, econômica, cultural e ambiental.

A educação com vistas ao desenvolvimento sustentável pressupõe o direito à ciência, à tecnologia, ao saber, assim como acesso e uso sustentável do patrimônio coletivo natural. Por isso, como defendeu o professor, “a atual era da globalização dos mercados, que tende a reduzir a educação a um serviço da política econômica e do crescimento, constitui entrave ao desenvolvimento sustentável”, pois não considera as diferentes dimensões da sustentabilidade, indispensáveis para a promoção dos Direitos Humanos.

*Redação

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