Reflexões sobre a agenda da água em agosto de 2014

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Capa da Folha de São Paulo em 01 de agosto de 2014 / Imagem: Site da Folha

O problema da água não sai da nossa agenda. Em agosto, a temática esteve em pauta quase que diariamente. São Paulo enfrenta uma das suas maiores crises de abastecimento, e, nas últimas semanas, assistimos à polêmica a respeito da campanha do balde de gelo. Iniciada nos Estados Unidos em favor do combate à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a campanha foi abraçada por artistas brasileiros, com apoio da Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica. Apesar de já terem arrecadado milhões de dólares, o recurso escolhido para realizar a campanha não foi feliz, por motivos óbvios.

Na sexta-feira (29), André Trigueiro postou no Facebook: “Com a quantidade de água desperdiçada seria possível dar 833 mil descargas e tomar 111 mil banhos (fonte: NYT)”. O fato é que com a participação de celebridades do quilate de Bill Gates, Mark Zuckerberg, entre os americanos, Luciano Huck e Angélica entre os brasileiros, a campanha recebeu bastante atenção da mídia, muita gente aderiu, mas muita gente criticou o desperdício de água. Devido ao apelo midiático, a campanha recebeu muita atenção, tanta, que na Faixa de Gaza organizaram, em uma manifestação irônica, a campanha do balde de escombros.

Como a fala do jornalista André Trigueiro deixou claro, um grande volume de água foi desperdiçado. Apesar disso, essa campanha serviu para pelo menos duas coisas: chamar atenção para a doença e para o fato de que, sim, nós desperdiçamos muita água. Celebridade polêmica, o também jornalista Rafinha Bastos postou um vídeo não menos polêmico:

A despeito dessa campanha, o desperdício faz parte da rotina do brasileiro. Desde o desperdício causado por pequenos hábitos diários, a perdas mais substanciais, como as causadas por ligações clandestinas e vazamentos. Ou seja, temos um problema relacionado ao hábito do brasileiro e outro estrutural, de gestão.

Por exemplo, desde 2009, o Instituto Trata Brasil elabora um ranking que avalia as condições de saneamento básico de 100 cidades brasileiras com mais de 250 mil habitantes. O último relatório, divulgado no dia 27 de agosto, atesta que 90 das 100 maiores cidades brasileiras não reduziram o desperdício de água. Por sua vez, a região sudeste é a que tem os melhores índices em termos de saneamento básico: das 20 melhores cidades, 11 são do Estado de São Paulo; 3 de Minas Gerais; e 2 do Rio de Janeiro. Salvador ocupa a 34º colocação.

A conclusão do relatório é preocupante: “o volume de esgotos não tratados nos 100 maiores municípios, portanto descartados por dia na natureza, foi de 2.959 piscinas olímpicas. Isso mostra que a falta de saneamento, além de um problema de saúde pública, continuará prejudicando a quantidade e qualidade dos recursos hídricos brasileiros”.

Crise em São Paulo, campanha do balde de gelo, do balde de escombros, relatório com resultados negativos… Não faltam indícios para mostrar que há algo errado. Há escassez, falta educação, e a necessidade de preservar é imperativa. Agosto poderia ser o mês da água, infelizmente, como o mês em que muitas contradições mostram-se ainda presentes.

Confira o relatório completo do Instituto Trata Brasil.

*Redação

Fonte: Folha de São Paulo, Instituto Trata Brasil, Portal EcoD

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