Alguns marcos da história da Educação Ambiental no Brasil

jardim bot RJ

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro é o marco de início das pesquisas em Botânica no Brasil. Hoje, o Jardim Botânico, além de ser um dos mais famosos pontos turísticos do Rio, tem programas de pesquisa e extensão, com iniciação científica e pós-graduação, além de dois museus / Imagem: Site do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

1808 foi um ano decisivo para a História do Brasil. Há quem diga que se a família real portuguesa não tivesse vindo para cá, hoje seríamos como outras ex-colônias portuguesas menos desenvolvidas. D. João VI desembarcou em Salvador no dia 23 de julho daquele ano. Em outubro, criou o Banco do Brasil, a fim de emitir moeda, como uma forma de superar a crise econômica que a corte enfrentava. Em troca dos investimentos dos acionistas, ele concedia títulos de nobreza. Já em cinco de novembro do mesmo ano, ele criou a Faculdade de Medicina. Como se vê, D. João VI atuou em várias frentes para modernizar o Brasil. Entre os feitos, destaca-se também a criação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 1808, fato que marca o início da Educação Ambiental no Brasil.

Historicamente, os jardins botânicos eram criados para estudar plantas medicinais. No Brasil, inicialmente, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro era privativo de D. João VI, mas depois foi aberto ao público, e passou também a promover pesquisas científicas. Já na fase republicana, houve a criação, em 1896, do Parque da Cidade, em São Paulo, seguido da criação do Parque Nacional de Itatiaia (1937) e do Parque Nacional do Iguaçu (1939). Em 9 de janeiro de 1950, foi criada a Sociedade Botânica do Brasil (SBB), como uma associação científica, cultural e educacional.

Na segunda metade do século XX, um marco importante foi a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente, SEMA, no âmbito do Ministério do Interior, que, entre outras atividades, começou a fazer Educação Ambiental. Três anos depois, a SEMA promoveu, junto com a Unb e a Fundação Educacional do Distrito Federal, o primeiro curso de Extensão para professores do 1o Grau em Ecologia. Em 1977, a disciplina Ciências Ambientais passou a ser obrigatória nos cursos de Engenharia.

Os anos 1980 trazem uma importante conquista legislativa, que foi a Política Nacional do Meio Ambiente, com a lei 6.938/81. Nela, a educação ambiental foi contemplada logo nas primeiras linhas (art. 2º, inc. X):

“Art. 2º. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:

X – educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente”.

A partir de então, a década de 1980 seguiu em efervescência em termos de ações voltadas para a educação ambiental. Tivemos, em 1984, resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que estabelecia diretrizes para a Educação Ambiental. Em 1986, o I Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente. O Parecer 226/87, do conselheiro Arnaldo Niskier, em relação à necessidade de inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1o e 2o Graus foi aprovado pelo MEC. Um ano depois, a nossa Constituição Federal também incluiu as demandas ambientais em seu texto:

“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

  • 1º – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

…………………………

VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.

Um ano depois da promulgação da Constituição Federal de 1988, nasceu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) da fusão da SEMA, SUDEPE, SUDEHVEA e IBDF. Nele funciona a Divisão de Educação Ambiental. O Ministério do Meio Ambiente fez uma linha do tempo sobre a Educação Ambiental brasileira entre 1808 e 2004, onde você pode conhecer mais marcos da nossa história em Educação Ambiental.

Como dissemos no texto de ontem, que o comportamento sustentável inclui iniciativas diversas, a educação é uma delas. O economista polonês Ignacy Sachs vai além, quando propõe que existem cinco dimensões de sustentabilidade: social, econômica, ecológica, espacial e cultural. A educação, certamente, perpassa todas essas dimensões.

Erica Rusch e Ignacy Sachs, durante passagem do professor pelo Brasil, quando ele fez uma conferência na Fundação Luís Eduardo Magalhães, em Salvador-BA / Foto: Elvira Costa

Erica Rusch e Ignacy Sachs, durante passagem do professor pelo Brasil, quando ele fez uma conferência na Fundação Luís Eduardo Magalhães, em Salvador-BA / Foto: Elvira Costa

*Com informações do Portal Ambiente Brasil, Ministério do Meio Ambiente e Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s