Por que a sustentabilidade é um fator de estratégia

Rafael Valente (Grupo Civil), Eduardo Athayde (WWI/Associação Comercial da Bahia) e Thiago Mota (Amcham-Salvador) / Foto: Elvira Costa

Rafael Valente (Grupo Civil), Eduardo Athayde (WWI/Associação Comercial da Bahia) e Thiago Mota (Amcham-Salvador) / Foto: Elvira Costa

Redação

Crescimento dos negócios, gestão sustentável e perspectivas para a Bahia foram alguns dos assuntos discutidos hoje durante o Fórum de Sustentabilidade e Energia promovido pela Amcham-Salvador. Sob a temática do valor estratégico da sustentabilidade, a Amcham convidou Eduardo Athayde, diretor da WWI (Worldwatch Institute Brasil) e da Associação Comercial da Bahia e Rafael Valente, sócio-diretor do Grupo Civil.

Eduardo iniciou a apresentação homenageando o seu xará, Eduardo Campos, falecido no trágico acidente que vitimou outras seis pessoas na manhã de ontem (13). Em uma justa homenagem, ele destacou uma fala de Campos que já é célebre: “não podemos desistir do Brasil”. Lembrou também as contribuições de Campos para a sustentabilidade, destacando, entre as ações, o prefácio que o ex-governador de Pernambuco escreveu para o Relatório Estado do Mundo, que o WWI publica anualmente. Acesse a versão 2013 aqui.

Eduardo Athayde chamou atenção para o nível de consumo no mundo, que é um dos principais desafios para a sustentabilidade. Em 1996, o consumo estava em 23,9 trilhões de dólares. Dez anos depois, em 2006, esse número subiu para 30,5 trilhões de dólares. Nesse cenário, outro fator preocupante é a distribuição desigual, pois mais de 80% da população do mundo consome menos de 20% dos seus recursos. Além disso, ainda há a velocidade de consumo versus a capacidade do planeta em se recompor. Afinal, os recursos não são infinitos!

Entre os tantos recursos, Eduardo destacou a nossa Baía de Todos os Santos. Para ele, a nossa baía ainda é subutilizada no que ela tem de potencial para atrair investimento para o nosso estado. Ela faz parte do que hoje se chama de Amazônia Azul, que compreende o mar brasileiro, com 8,5 mil quilômetros de costa e 4,5 milhões de quilômetros quadrados de Zona Econômica Exclusiva (ZEE). O nome Amazônia serve justamente para apontar o potencial de riqueza do nosso patrimônio marinho. Nesse território, a Baía de Todos os Santos é a maior baía em volume de água.

“Sustentabilidade não é meio ambiente. Meio ambiente é parte da sustentabilidade”. Com essa fala, Athayde sintetizou um mito que exigirá tempo para ser desfeito. Ser sustentável não é ser “ecochato”, em nada se assemelha ao militante estereotipado, menos ainda em pensar apenas no verde. A sustentabilidade é um requisito essencial para qualquer esfera da vida e foi essa a mensagem que Athayde quis passar.

A segunda apresentação da manhã mostrou sintonia com a primeira, quando Rafael Valente defendeu que a sustentabilidade deve ser considerada um fator estratégico para os negócios, capaz de contribuir para a sua perenidade. Ela não gera apenas valor de marca, nem serve basicamente para promover uma imagem institucional de responsabilidade com o meio ambiente. Mais do que isso, a gestão sustentável pode ser um fator de economia nos negócios.

Das ações bastante simples, como economizar papel e energia no escritório, a atividades complexas, como produzir um bloco que permite a passagem de tubos e tem melhor aderência de materiais, Rafael defendeu a sustentabilidade aplicada com viabilidade econômica. Nesse sentido, ela não seria apenas aquela destinada a ações compensatórias, como reuso e reciclagem, mas também a ações preventivas, que investem em tecnologias limpas, economizando recursos, e, mais ainda, em Pesquisa e Desenvolvimento, que insere novas soluções no mercado, a exemplo da areia de brita. Feita para substituir a areia natural (de duna), a areia de brita consegue produzir um cimento de melhor qualidade, que, por sua vez, promove um uso mais eficiente desse cimento.

Analisando de forma didática, a lógica parece bastante simples: faz-se o investimento em P&D, cria-se a nova solução. Por sua vez, essa nova solução, o bloco, por exemplo, quebra menos. Por quebrar menos, gera menos resíduos. O fato de ser mais resistente também gera economia em logística, afinal, uma menor quantidade de bloco será transportada para suprir uma mesma necessidade de material. Porque é mais rugoso é também mais aderente, então o bloco exige uma menor quantidade de argamassa. Assim, o trabalho é realizado em menos tempo, com mais produtividade. “Conseguimos economizar muita argamassa com esse bloco, vocês não fazem ideia”, brincou o engenheiro.

Por fim, Rafael defendeu o posicionamento social das ações sustentáveis. Ele falou dos mutirões de engenharia, organizados para prestar serviços de engenharia em caráter emergencial. Como exemplo, lembrou o mutirão feito na periferia de Salvador, em um orfanato com dezenas de crianças, que possuía apenas um banheiro. Então a equipe entregou quatro novos banheiros àquela comunidade. “Estamos tentando usar a nossa inteligência de engenharia para ajudar a sociedade”, finalizou.

Lembra daquela ideia inicial de que sustentabilidade não é apenas o meio ambiente verde? Por isso, outras frentes de atuação são abertas, com foco em diversas demandas, como saúde, educação, moradia, em qualquer plano que eleve a nossa qualidade de vida e a das nossas gerações futuras.

Conheça as organizações que participaram do debate dessa manhã:

Amcham

Associação Comercial da Bahia

Grupo Civil

Worldwatch Institute (WWI)

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