Com investimento em práticas sustentáveis, empreendimentos baianos recebem selos de responsabilidade ambiental

Redação

Tendência em diversos países, os selos ambientais contribuem para endossar o compromisso das empresas com o meio ambiente. ABNT, INMETRO e LEED destacam-se entre as principais certificadoras do mercado. Além das organizações especializadas em certificados, associações de diferentes setores, como varejo e indústria, por exemplo, têm criado selos e premiações para contemplar iniciativas verdes.

Intitulada LEED in motion: Brazil, recente pesquisa feita pelo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), publicada em julho deste ano, aponta o Brasil como um país de referência em construções sustentáveis. A certificação LEED é utilizada em 143 países e avalia eficiência energética, de uso da água e de materiais, entre outros aspectos. O Brasil já é o quinto maior mercado mundial para certificações LEED fora dos Estados Unidos.

Odebrecth e OAS estão entre as empresas de grande porte que possuem a certificação. Em entrevista para o LEED in Motion, Ciro Barbosa, Diretor de Recursos Humanos e Sustentabilidade da Odebrecth pontuou que “clientes procuram retorno em seus investimentos. Com o LEED, podemos garantir a eles que estamos construindo um projeto de qualidade”. Entre os empreendimentos certificados pelo LEED, a Odebrecth contabiliza, junto com a OAS, a Arena Fonte Nova, em Salvador-BA. O estádio foi o primeiro do Brasil a conquistar o certificado LEED PRATA.

Arena Fonte Nova ainda durante a construção, que atendeu a requisitos de eficiência energética e gestão de resíduos, conquistando o LEED PRATA. Na época, mesmo o fardamento dos operários era enviado para reciclagem. Foto: Adenilson Nunes/SECOM

Arena Fonte Nova ainda durante a construção, que atendeu a requisitos de eficiência energética e gestão de resíduos, conquistando o LEED PRATA. Na época, mesmo o fardamento dos operários era enviado para reciclagem. Foto: Adenilson Nunes/SECOM

Localizado dentro de uma Área de Preservação Ambiental (APA), o condomínio Quintas Private Residences traz para o mercado baiano uma proposta inovadora. Com o conceito de casas de férias, os imóveis são comercializados em um sistema fracionado e os proprietários utilizam a casa de acordo com um rodízio anual de datas. Já popularizado nos Estados Unidos e na Europa, esse conceito incentiva o consumo consciente e proporciona economia aos proprietários, uma vez que valores e custos com manutenção são proporcionais ao tempo de uso.

Casa no Quintas Private, em Costa do Sauípe. Através do sistema fracionado de comercialização do imóvel, é possível comprar uma fração e utilizar a residência conforme um calendário anual rotativo. Cada proprietário arca com custos proporcionais ao tempo de uso do imóvel.

Casa no Quintas Private, em Costa do Sauípe. Através do sistema fracionado de comercialização do imóvel, é possível comprar uma fração e utilizar a residência conforme um calendário anual rotativo. Cada proprietário arca com custos proporcionais ao tempo de uso do imóvel / Foto: Nilton Souza

Segundo o advogado André Krull, “a APA é uma unidade de conservação que permite o uso com algumas restrições, por isso ela é a chamada unidade de uso sustentável, pois existe a permissão que se construa empreendimentos de forma responsável”. O condomínio está localizado em região de Mata Atlântica, em Costa do Sauípe, na Bahia. No condomínio, todo o paisagismo é feito com Mata Atlântica de Restinga. A Odebrecth, construtora responsável pelo empreendimento, trabalha com os selos LEED, Aqua, Procel INMETRO e o Selo Azul da Caixa.

Também na Bahia, outro empreendimento premiado é o Salvador Shopping, realização da Cyrela Andrade Mendonça. Desde o projeto inicial, houve a perspectiva de reduzir a utilização de recursos naturais e de gerir os resíduos sólidos de forma eficiente. Já no dia-a-dia, existe a captação de água da chuva para ser utilizada no sistema de descargas e o esgoto a vácuo, capaz de reduzir em 90% a necessidade da utilização de água em descargas sanitárias. Como resultado do engajamento ambiental, o shopping recebeu três prêmios internacionais concedidos pela International Council of Shopping Centers (ICSC).

No Salvador Shopping, dômus de vidro de 5,5 mil metros quadrados permite o aproveitamento de cem por cento da iluminação natural / Foto: Assessoria

No Salvador Shopping, dômus de vidro de 5,5 mil metros quadrados permite o aproveitamento de cem por cento da iluminação natural / Foto: Assessoria

Entregue no final de 2013, o edifício-sede do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA) possui a certificação AQUA (Alta Qualidade Ambiental). Aplicado no Brasil pela Fundação Vanzolini, o AQUA é uma certificação internacional da construção sustentável desenvolvida a partir da francesa Démarche HQE (Haute Qualité Environmentale). O edifício possui telhado verde e jardins verticais com plantas nativas que consomem pouca água, já a água da chuva é aproveitada através de uma estação de tratamento. Placas solares e turbina eólica geram 12,32% da energia para as áreas comuns do prédio, que possui também fachada bioclimática, que reduzem o consumo de energia.

Além dos empreendimentos comerciais, as certificações ambientais também se aplicam aos residenciais. De acordo com a arquiteta Dora Brasil, que é especialista em construções sustentáveis, um imóvel localizado em edifício com certificação já possui um preço de mercado 30% maior que um imóvel convencional, pelo valor agregado associado à sustentabilidade. Entretanto, ao longo do tempo, esse valor investido reveste-se em economia, devido às vantagens que a arquiteta destaca:

– consumo racional dos recursos naturais, inclusive água e energia;

– redução dos custos operacionais e de manutenção do edifício ao longo do seu ciclo de vida;

– redução da produção de resíduos, através de sistemas construtivos secos e estímulo a redução, reuso e reciclagem de materiais;

Já temos no nosso estado alguns bons exemplos de práticas sustentáveis no setor da Construção Civil e, considerando o nosso cenário nacional, a expectativa é que a Bahia continue colaborando para que o nosso país seja referência em tecnologia e inovação. Além de realmente necessárias para o nosso bem estar presente e futuro, essas práticas ainda proporcionam economia financeira em longo prazo. Então, sem sombra de dúvidas, o investimento vale a pena.

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